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Dobradinha de brasilidade: tudo sobre os shows de Boogarins e Chico César

  • Foto do escritor: CRIS.
    CRIS.
  • 21 de jan.
  • 3 min de leitura

Se o feriado de São Sebastião serviu pra recarregar as energias, todos os caminhos nos levam pra programação de verão do Circo Voador.


boogarins
Boogarins | Foto: reprodução

Nos dias 23 e 24/01, dois shows ocupam o palco do Circo: Boogarins (23) revisitando um dos discos mais importantes da sua trajetória e Chico César (24) comemorando três décadas de um álbum que redefiniu sua própria existência artística. Dois dias, dois universos sonoros, um mesmo gesto: olhar pro passado com os pés firmes no presente.


Boogarins celebra 10 anos de “Manual” em noite com cara de festival

Celebrada por seus shows catárticos e por uma discografia que parece sempre flertar com estados alterados de consciência, a Boogarins sobe ao palco do Circo Voador para comemorar os 10 anos de “Manual ou guia livre de dissolução dos sonhos”.


O disco, indicado ao Grammy Latino e responsável por consolidar o grupo goiano como um dos nomes centrais da sua geração, ganha agora uma leitura expandida, moldada pela experiência de estrada e pela potência do ao vivo.



Gravado em Gíjon, no norte da Espanha, durante uma pausa da primeira turnê internacional da banda, Manual cresceu junto com seus shows. Foi justamente no palco, e com a entrada de Ynaiã Benthroldo na bateria, que as canções ganharam corpo, volume e novas camadas de improviso. Versões que se tornaram definitivas, como as apresentadas na histórica sessão da KEXP, ecoam até hoje como um marco da banda em estado puro.


No Circo, a proposta vai além da nostalgia. A Boogarins promete executar o disco de cabo a rabo, mas sem engessá-lo: a ideia é revisitar arranjos, reativar improvisos e construir um novo presente a partir desse retorno. Como a própria banda define, não se trata apenas de despertar lembranças, mas de criar novas memórias, tanto para quem acompanha desde o início quanto para quem chegou depois.


A noite ainda se expande com uma escalação que reforça o clima de mini-festival: Mermaid Man, banda alemã que estreia no Circo trazendo seu garage psicodélico de contornos cinematográficos; Cidade Dormitório, diretamente de Sergipe, celebrando 10 anos de estrada com seu indie alternativo de lirismo afiado; Tem Mas Acabou, de Niterói, com sua bagunça elegante entre shoegaze e rock tropicalista; e Lê Almeida, figura indispensável da cena independente, fechando o combo com sua viagem sonora entre free jazz, afrobeat e música brasileira.



Antes e depois dos shows, o DJ set classudo de Pedro Montenegro costura a pista.


Chico César celebra 30 anos de “Cuscuz Clã” e transforma o Circo em festa

No dia seguinte, o Circo Voador recebe um retorno carregado de afeto e significado. Chico César volta à lona para celebrar os 30 anos de “Cuscuz Clã”, álbum que não apenas marcou sua estreia em estúdio, mas redefiniu os rumos da sua carreira, nacional e internacionalmente. Como se não bastasse, a noite também comemora o aniversário do próprio artista, transformando o show em uma grande celebração coletiva.


Chico césar

Lançado em 1996, Cuscuz Clã é um verdadeiro rocambole sonoro: baião, pop, rock, forró, poesia nordestina e música afro-brasileira se encontram em um disco que fala de corpo, dança, identidade e crítica social. Produzido no Rio de Janeiro por Marcos Mazzola, o trabalho contou com nomes históricos como Naná Vasconcelos, Bakhiti Kumalo e Lanny Gordin, além da banda que já acompanhava Chico nos palcos paulistanos, a mesma que dá nome ao álbum.


Canções como “Mama África”, “À Primeira Vista”, “Mand’Ela” e “Pedra de Responsa” atravessaram o tempo e seguem atuais, não apenas como sucessos, mas como afirmações políticas, estéticas e afetivas. No palco do Circo, Chico revisita o disco em sua totalidade, costurando essas músicas com outros momentos emblemáticos da sua trajetória, em um show que é memória, celebração e movimento.



Abrindo os trabalhos, a paraibana Luana Flores apresenta o projeto Nordeste Futurista, unindo ritmos da cultura popular nordestina ao universo eletrônico, com foco em temas como gênero, sexualidade e território. Na pista, quem assume é o DJ Túlio Baía, garantindo que a festa siga pulsando antes, durante e depois do show.



 
 
 

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